Alguns carros desafiarão sempre as intenções dos seus designers, independentemente do seu desempenho ou da excelência da sua engenharia. Veja-se o caso do Porsche 928. Com um motor V8 de última geração, totalmente em liga, com 240 cv, uma transmissão traseira inteligente e um estilo cativante, este GT do final da década de 1970 tinha todos os atributos essenciais para ser um carro verdadeiramente excelente. E muitas pessoas pensavam assim na altura.
Foi até eleito Carro do Ano em 1978, a primeira vez que um «carro desportivo» conquistava o cobiçado prémio. Mas o 928 parecia amaldiçoado desde o primeiro dia – por nada mais do que a irracionalidade humana. Essa falta de lógica derivava de três dígitos: 911. Os fãs mais fervorosos da Porsche nunca superaram a decisão de Stuttgart de mudar para motores dianteiros.
Tanto o 924 quanto o avant-garde 928 poderiam ter feito mais sentido do ponto de vista técnico do que o (na época) antigo 911 refrigerado a ar, mas isso ainda não foi suficiente para convencer os entusiastas, que continuavam a ansiar pelas peculiaridades do irmão mais velho do 928, com motor traseiro. No entanto, pergunte a qualquer pessoa que teve a sorte de possuir um Porsche 928 quando era novo e ela dir-lhe-á como ele era sensacional.